NOTÍCIAS / Tudo sobre Samba
-
O Neguinho da Beija-Flor – Musical Com direção de Luiz Antonio Pilar e texto de Aydano André Motta, musical percorre a trajetória do cantor e compositor Neguinho da Beija-Flor
Redação em 25 de Agosto de 2026
O ator Izak Dahora interpreta o protagonista na peça que estreia
em 10 de setembro no Teatro João Caetano
Um dos maiores artistas da história do carnaval carioca, o cantor e compositor
Neguinho da Beija-Flor tem sua trajetória extraordinária apresentada no
espetáculo “O Neguinho da Beija-Flor – Musical”, com direção de Luiz Antonio
Pilar e texto de Aydano André Motta, que estreia em 10 de setembro de 2026 no
Teatro João Caetano. A montagem tem patrocínio da Petrobras, por meio do
programa Petrobras Cultural, e foi selecionada por meio de edital público.
Depois de 50 anos ininterruptos como a voz da escola de samba Beija-Flor de
Nilópolis, tendo cantado nos 15 títulos conquistados pela agremiação, ele se
aposentou em 2025. São cinco Estandartes de Ouro conquistados na categoria
de Melhor Intérprete e um sexto como Personalidade. A carreira musical
também foi consolidada fora da Marquês de Sapucaí: foram mais de 40 discos
lançados ao longo de sua trajetória. Mais de 30 canções do repertório que
marcou o seu percurso integram a montagem.
Em cena, a longa história de amor, arte e resiliência será contada desde a
infância, na extrema pobreza em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, até a
consolidação como um artista de reconhecimento internacional. Nascido em 29
de junho de 1949, em Vila Isabel, Neguinho tornou-se intérprete oficial da
Beija-Flor em 1975 e, desde sua estreia na avenida em 1976, participou de todos
os desfiles pela mesma escola — a ponto de incorporar o nome artístico ao
registro civil, passando a se chamar Luiz Antônio Feliciano Neguinho da Beija-
Flor Marcondes. Criador do grito de guerra que se tornou marca registrada dos
desfiles — o icônico “Olha a Beija-Flor aí, gente!” —, abriu caminho para que
intérpretes de outras escolas passassem a adotar o mesmo recurso.
O ator Izak Dahora interpreta Neguinho da Beija-Flor, ao lado de um elenco de
dez atores-cantores – Bruno Quixotte, Celso Luz, Ella Fernandes, Leandro Melo,
Lu Vieira, Maria Vitória Rodrigues, Matheus Dias, Pedro Barreto, Thalita
Floriano e Verônica Bonfim –, que interpretam diferentes personagens
marcantes da vida do artista.
Idealizador e diretor da montagem, Luiz Antonio Pilar apresenta seu quinto
musical biográfico — ele venceu o Prêmio Shell de Melhor Direção com “Leci
Release O Neguinho da Beija-Flor - Teatro João Caetano 2026.docx
Brandão – Na Palma da Mão” em 2024 —, tendo como ponto central um grande
artista referência do samba-enredo. Em 2024, ao saber que o jornalista Aydano
André Motta estava preparando uma biografia sobre Neguinho da Beija-Flor,
Pilar o convidou para criar um texto para o teatro.
“Embora seja um musical biográfico, a montagem é uma interpretação ficcional
a partir dos fatos reais que Aydano nos trouxe. Fizemos uma extensa seleção de
músicas e criamos uma história que quebra a linha do tempo cronológica real. É
uma peça para o público assistir cantando junto”, conta Pilar. “A profissão de
muitos artistas é marcada por perdas, dificuldades e desistências pelo caminho.
A trajetória do Neguinho é uma grande demonstração de resiliência, intuição e
de que a arte precisa ser livre para sobreviver.
Ele é um exemplo dessa força da
arte”, diz o diretor.
Autor do texto, Aydano André Motta acompanha de perto o universo das escolas
de samba desde 1988 e publicou diversos livros sobre o tema. Jornalista e
pesquisador de carnaval e cultura popular, ele há décadas defende a valorização
social do samba e de seus artistas — um posicionamento que atravessa toda a
sua obra e que, segundo ele, dialoga diretamente com a trajetória de Neguinho.
Roteirista da série documental “Neguinho da Beija-Flor – Soberano da Avenida”
(Globoplay, 2025), Aydano faz sua estreia no teatro com “O Neguinho da Beija-
Flor – Musical”.
“Ele é um artista absolutamente empírico. Nunca fez aula de canto e saiu
cantando, nunca aprendeu partitura e compôs inúmeras músicas. É um
expoente dessa arte que o país ainda não sabe valorizar e que sempre foi uma
das minhas causas. O Neguinho é um dos seus maiores símbolos”, diz Aydano.
Sob a direção musical de Matheus Camará e Rodrigo Pirikito, foram criados
novos arranjos vocais que preservam a sonoridade original, aproximando as
canções da musicalidade consagrada na obra de Neguinho da Beija-Flor. Em
cena, além de Camará e Pirikito, a banda é composta por Thainara Castro, Pedro
Ivo, Daniel Esperança, Wesley Lucas, Maycon Júlio e Érica Santos.
No roteiro musical estão sambas-enredo e músicas marcantes da carreira do
artista: “O Campeão”, que virou hino oficial do Estádio do Maracanã; “Sonhar
com Rei dá Leão”, samba-enredo de 1976, ano de sua estreia oficial como
puxador e do primeiro título da Beija-Flor; “Ratos e Urubus, Larguem Minha
Fantasia!”, um dos sambas mais marcantes da história do carnaval carioca,
interpretado por ele em 1989; e “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os
Sambas”, enredo campeão de 2025, ano em que ele fez seu último desfile como
intérprete oficial da escola. Outro sucesso é “Negra Ângela”, que, em 2008, ele
cantou ao lado de Roberto Carlos no especial de fim de ano da TV Globo.
Rute Alves, uma das mais respeitadas e talentosas porta-bandeiras do carnaval
carioca, assina o figurino do espetáculo. Nos últimos anos, Rute criou os
figurinos dos musicais “Leci Brandão – Na Palma da Mão”, “Ruth & Léa”, “A
Pérola Negra do Samba” e “Os Irmãos Timótheo da Costa”. Em suas criações,
Rute destaca a importância de o público reconhecer o artista por meio do
figurino. As peças pensadas para a montagem trazem referências marcantes,
Release O Neguinho da Beija-Flor - Teatro João Caetano 2026.docx
como o macacão usado há anos por Neguinho e o tom de azul emblemático da
Beija-Flor, que dividem espaço com criações originais.
“O figurino do espetáculo tem mais de 50 peças, muitas delas artesanais. Temos
uma Nanã — Orixá homenageada em enredos de escolas de samba — toda feita
com mais de 1.000 fuxicos e 50 rosas feitas a mão”, exemplifica Rute Alves. “No
carnaval, sou porta-bandeira; no teatro, figurinista. São funções bem distintas,
mas é impossível não beber da fonte do carnaval porque os artistas mais
talentosos estão dentro dos barracões: aderecistas, costureiras, modelistas,
chapeleiros”, enumera a figurinista.
Para ambientar a história, a cenógrafa Lorena Lima transformou o palco sem
coxias em um barracão de escola de samba. Uma grande estrutura de ferro e
madeira remete aos andaimes usados na construção dos carros alegóricos, e é
nela que os objetos cênicos — criados com materiais reciclados de carnavais
passados — permanecem expostos e são revelados gradualmente ao longo da
narrativa.
“Recebemos da Beija-Flor de Nilópolis um grande cesto de frutas de isopor
usado no desfile do ano passado, ‘Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os
Sambas’. A partir desse adereço, criamos novos objetos cênicos”, conta Lorena,
que também investiu no garimpo de adereços na Sustenta Carnaval — uma
iniciativa socioambiental que faz a coleta, triagem e redistribuição de fantasias e
adereços descartados após os desfiles das escolas de samba. “A ideia era evocar
o universo do carnaval sem reproduzi-lo literalmente. Mas é carnavalesco de
alguma forma”, diz a cenógrafa.
Com uma trajetória marcada por coreografias premiadas à frente de comissões
de frente no carnaval carioca, Patrick Carvalho assina a coreografia e a direção
de movimento do espetáculo. Na preparação vocal, o cantor e ator Pedro Lima
traz ao elenco sua experiência no teatro musical e na preparação de intérpretes
de samba-enredo.
ROTEIRO MUSICAL
Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas
Menino de Pé no Chão
Eu e a Dor
Nervos de Aço
Amor de Mãe
Música de Coreto (bloco de sujos)
Problema Social
Odoyá
O Campeão
Gamação Danada
Salgueiro - Bahia de todos os deuses
Império - Heróis da liberdade
Mangueira - Exaltação à Mangueira
Portela - Foi um rio que passou em minha vida
Pra Lá de Legal
What a Wonderful World
Release O Neguinho da Beija-Flor - Teatro João Caetano 2026.docx
Sonhar com Rei dá Leão
Visual
Deusa da Passarela
Negra Ângela
Mulheres
Bem Melhor que Você
Mas que Nada
Mulher, Mulher
Menino Pobre e Sonhador
Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia!
Teu Rei
Cabô Meu Pai
Eu Sou de Nilópolis
Chuveiro da Alegria
Samba é o Gosto da Minha Comida
Macapaba
Iracema a Virgem dos Lábios de Mel
Empretecer o Pensamento é Ouvir a Voz da Beija-Flor
FICHA TÉCNICA
Elenco
: Bruno
Quix
otte, Celso Luz, Ella Fernandes, Izak Dahora, Leandro
Melo, Lu Vieira, Maria Vitória Rodrigues, Matheus Dias, Pedro Barreto, Thalita
Floriano e Verônica Bonfim
Texto:
Aydano André Motta
Diretor
: Luiz Antonio Pilar
Assistente de Direção
: Estela Silva
2º Assistente de Direção
: Jadson Abraão
Diretores Musicais
: Matheus Camará e Rodrigo Pirikito
Músicos
: Thainara Castro, Pedro Ivo, Daniel Esperança, Wesley Lucas,
Maycon Júlio e Érica Santos
Coreógrafo e Diretor de movimento
: Patrick Carvalho
Assistente de coreografia
: Layla Diamante e Dewson Mascote
Cenógrafa
: Lorena Lima
Assistente de cenografia e Aderecista
: Raphael Elias
Iluminadora
: Daniela Sanches
Designer de som
: Vilson Almeida
Figurinista
: Rute Alves
Assistente de Figurino
: Rian Oak
Visagista
: Josi Rodrigues
Diretor de produção
: Geraldo de Souza
Produção Executiva
: Nuala Brandão
Produção:
Thaís Cairo
Assistente de Produção
: Sandro Carvalho
Coordenação de Comunicação e Redes Sociais
: Pilha Comunicação e
Comunidades
Identidade Visual
: Pedro Pessanha e Rawier Queiroga (PILHA.CC)
Coordenador de Acessibilidade
: Jadson Abraão
Assessoria de Imprensa
: Catharina Rocha e Paula Catunda
Acessibilidade
: JDL Traduções
Release O Neguinho da Beija-Flor - Teatro João Caetano 2026.docx
LUIZ ANTONIO PILAR – Idealizador e diretor
Recebeu o Prêmio Shell de Teatro 2024 pela direção do musical “Leci Brandão –
Na Palma da Mão”. Em 2025, dirigiu os espetáculos “Ruth & Léa” (texto de
Dione Carlos); “A Pérola Negra do Samba” (texto de Leonardo Bruno), sobre a
vida da artista Jovelina Pérola Negra; e “Os Irmãos Timótheo da Costa” (texto
de Claudia Valli).
No audiovisual, lançou no cinema o longa-metragem de
documentário “Milton Gonçalves – Para além do espetáculo”. Na TV, dirigiu as
novelas “Todas as Flores” (Globoplay), “Desejo proibido”, “Sinhá Moça”, “A
padroeira” (TV Globo); “Xica da Silva”, “Brida”, “Mandacaru” e “Tocaia Grande”
(na extinta TV Manchete). No cinema, dirigiu “Lima Barreto, ao terceiro dia”, o
documentário “Candeia” e o curta-metragem “A mãe e o filho da mãe". Venceu o
13º Festival de Curtas do Rio de Janeiro e, como prêmio, representou o Brasil
no Festival de Cinema de Angers, na França. Em parceria com a produtora
Lapilar, o Canal Futura e a TV Globo, desenvolve o projeto “A cor da cultura”
(conjunto de programas voltados para temática negra, em cumprimento a
determinação da Lei 10.639). Em 1993, fundou sua produtora, realizando
projetos de sucesso de temática afro-brasileira como o espetáculo teatral “Os
negros”, de Jean Genet. Em 2023, fez parte da direção da novela “Todas as
Flores”, da TV Globo, que ganhou o prêmio Rose D’or Latinos, como melhor
telenovela.
AYDANO ANDRÉ MOTTA – Autor
Nascido em Niterói, Aydano André Motta é jornalista desde 1986, quando se
formou na UFF. Especializou-se na cobertura do Rio de Janeiro em veículos
como Jornal do Brasil, O Dia, O Globo, Veja, TV Globo e IstoÉ. Acompanha de
muito perto o universo das escolas de samba desde 1988, quando assistiu ao seu
primeiro desfile na Passarela do Samba. De lá para cá, nunca mais deixou de ir,
somando 37 anos de Sapucaí e bastidores do Carnaval. Conquistou o Prêmio
Esso de Melhor Contribuição à Imprensa em 2012, pela criação e edição do
suplemento Globo a Mais. Pesquisador de cultura popular, é autor de
“Maravilhosa e Soberana – Histórias da Beija-Flor” e “Onze Mulheres Incríveis
do Carnaval Carioca”, da coleção Cadernos de Samba (Verso Brasil), que
concebeu e coordenou. Escreveu ainda os dois volumes do livro-guia “Blocos de
Rua do Rio de Janeiro” (Réptil Editora) e os livros “Da Minha Porta Vejo o
Mundo” e “Que Lugar Bacana”. Assinou os roteiros do documentário “Mulatas!
Um Tufão nos Quadris” (Carioca Filmes, 2011) e do programa “Samba Coração”
(Band, 2023). Foi consultor nos documentários “Doutor Castor” e “Vale o
Escrito” (Globoplay). Trabalha atualmente na biografia de Neguinho da Beija-
Flor.
SERVIÇO
Temporada:
10/09 a 01/11 de 2026
Dias e horários:
Quinta, sexta e sábado, às 19h. Domingo, às 17h
Local:
Teatro João Caetano (Praça Tiradentes, s/n – Centro – Rio)
Ingressos:
Plateia — R$ 80 (inteira) | R$ 40 (meia-entrada)
Balcão Nobre — R$ 70 (inteira) | R$ 35 (meia-entrada)
Release O Neguinho da Beija-Flor - Teatro João Caetano 2026.docx

