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Museu do Samba lança projeto "Samba Minha Raiz", promovendo encontros de sambistas tradicionais com as novas gerações
Redação em 07 de Janeiro de 2026
Rodas de conversa com griôs do samba e do carnaval reunirão alunos de creches e escolas públicas localizadas na Mangueira e adjacências
O Museu do Samba (museudosamba.org.br) lança em fevereiro de 2026 o projeto Samba Minha Raiz, voltado à educação patrimonial de crianças e adolescentes atendidos em creches e escolas públicas do ensino fundamental. A prioridade será para instituições localizadas próximo ao Morro da Mangueira e região do entorno, que abrange Benfica e São Cristóvão, embora as localizadas em outros bairros também possam se inscrever. Para participar, as instituições de ensino interessadas devem realizar uma inscrição prévia para o agendamento de seus estudantes nas atividades programadas, pelo e-mail agendamentomuseudosamba@gmail.com .
O Museu do Samba fica na rua Visconde de Niterói, n° 1296, na Mangueira, Zona Norte do Rio, e funciona de terça a sábado, das 10h às 17h. O projeto Samba Minha Raiz é realizado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Política Nacional Aldir Blanc.
O projeto Samba Minha Raiz será composto por seis "encontros com griôs", no formato de rodas de conversa entre grandes referências artísticas do samba e do carnaval do Rio de Janeiro e o público infantojuvenil. Griô é um termo africano usado para nomear sábios contadores de histórias, reconhecidos pela comunidade e pela cultura à qual pertencem como detentores de saberes e guardiões da memória e das tradições orais. No caso deste projeto, os griôs são sambistas tradicionais que se consagraram em funções como mestre-sala, porta-bandeira, passista e mestre de bateria.
"Ao eleger o samba como fio condutor dos encontros, o Museu do Samba estabelece uma conexão direta com a comunidade da Mangueira, vista como uma raiz viva que precisa ser cuidada e reconhecida. Por meio da educação patrimonial, o Samba Minha Raiz reafirma o samba como patrimônio imaterial brasileiro e linguagem de resistência da diáspora africana; seu objetivo é combater processos históricos de invisibilização, promovendo a identidade e o pertencimento entre os jovens, e garantindo que o conhecimento ancestral siga pulsando e sendo transmitido de geração em geração", explica Nilcemar Nogueira, fundadora do museu e neta do compositor Cartola de Dona Zica da Mangueira.
Promover o acesso à educação patrimonial para públicos em situação de vulnerabilidade social é a grande missão do novo projeto do Museu do Samba. O propósito central é visibilizar a produção cultural afro-diaspórica e fortalecer a preservação das Matrizes do Samba no Rio de Janeiro (samba-enredo, samba de terreiro e partido alto), reconhecidas pelo Iphan como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
"A iniciativa do Museu do Samba pretende estimular a formação de uma rede ativa de pessoas e instituições comprometidas com a memória social do samba. É preciso valorizar o território onde as pessoas vivem e criam suas memórias e laços de pertencimento e, para isso, é importante envolver as escolas, os educadores, as famílias e os fazedores de cultura", reflete Nilcemar Nogueira.

