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  • Mocidade divulga sinopse do enredo carnaval 2027

    Redação em 22 de Maio de 2026

    Desperta, América latina!

    Pelas tuas veias abertas, organizamos o movimento.

    Pela flecha de Oxóssi nos guiamos, caçadores.

    /AI, SE/ te pego... porque nós não seremos mais a caça nem o quintal de ninguém.

    Levante, hemisfério rebelde!

    Erga nossa bandeira e plante nossa raiz no topo do mundo.

    Vire ao contrário o mapa americano, pero sem perder a ternura.

    Desnorteie, América invertida!

    A partir de agora, o Sul é o Norte.

    O poder do Norte Global está sob nova direção. Sulear.

    Viva a Revolução Latino-Americana Independente de Padre Miguel!

    Após eras sobrevivendo a reis, torres, cavalos e bispos, comamo-los.

    Assim como os Caetés fizeram com Dom Sardinha, saciamos nossa fome com os nossos invasores, catequistas, escravizadores e interventores.

    Retomamos o que nos foi tirado:

    Nossa memória levada para museus, nosso ouro extraído para ornar palácios, igrejas e coroas, nossa história apagada para nos manipular, nossa soberania atacada para nos dominar...

    Ó, Tecô-munhangaua!

    Evocamos Jurupari, o civilizador Tupi, para restaurar a ordem e o mando justo.

    Sem mais homenagens e monumentos a quem nos causaram tanta dor.

    Retupinizar em honra e gloria a nossos heróis vencidos pelo poder branco.

    Para que nossas riquezas não mais alimentem nossa pobreza.

    Restabelecer a cosmovisão das civilizações originárias.

    Pachamama nos ensina:

    Somos frutos da natureza e do universo unidos por Quetzalcóatl.

    O que se planta, cresce e floresce no matriarcado de Pindorama.

    As maravilhas da Mãe Terra são patrimônio, não apenas recurso ou mera mercadoria.

    São parte viva e sagrada da existência.

    O tesouro da nação Independente.

    Entendemos que a verdadeira evolução está conectada às raízes.

    Olhar para trás antes de olhar para frente é preciso.

    Nossa visão de futuro caminha com os passos de quem veio antes de nós.

    Somente a inteligência amefricana, centrada na experiência dos povos indígenas e africanos, salva.

    Com os pés aterrados na floresta, vos dizemos: kosi ewé, kosi amanhã.

    REconhecemos a vanguarda dos saberes milenares no quilombo tecnológico forjado por Ogum, HiTech ancestral.

    Mostrando nossa identidade, avançamos.

    A latinidade é capital.

    O jeitinho latino-americano vende pra Iô Iô, vende pra Iá Iá.

    Pois nós temos muito mais que bananas. Temos o molho.

    Dominamos a gambiarra, o maior contra-ataque criativo desde a pedra lascada.

    Nosso estilo de vida não tem preço, tem valor.

    Nos sentimos melhor coloridos para enfrentar os tempos de cólera.

    Festejamos porque a alegria é a força latina de resistência popular.

    Celebramos, apesar da dor... E também por causa dela. Desobedientes.

    Nosso sorriso insurgente combate a opressão, não reconhece domínio.

    Somos um povo que teima em se manter de pé, vivo. Contente.

    À folia, América-Latina independente!

    Comemore!

    Desfile seu orgulho para que nossas lágrimas sejam somente de felicidade.

    Que nosso suor seja resultado de conquistas.

    Daqui para frente e para sempre.

    Independentemente...

    Perdoe, mas não esqueça.

    ¡Dale!

    Jack Vasconcelos

    Carnavalesco

    Em Rio de Janeiro, Ano 534 da Ocupação.

    EXPERIÊNCIAS INICIAIS

    BANIWA, Braulina; APURINÃ, Francisco. Bioeconomia indígena: saberes ancestrais e tecnologias sociais. São Paulo: Uma Concertação pela Amazônia; Arapyaú, 2024.

    D’OLNE CAMPOS, Marcio. A arte de sulear-se. In: SCHEINER, Teresa Cristina (coord.). Interação museu-comunidade pela educação ambiental: manual de apoio ao curso de extensão universitária. Rio de Janeiro: UNIRIO/TACNET, 1991.

    GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. 2. ed. Porto Alegre: L&PM, 2012.

    GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Organização de Flávia Rios e Márcia Lima. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

    KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

    LÓPEZ, Emiliano (Org.). As veias do Sul continuam abertas: Debates sobre o imperialismo do nosso tempo. São Paulo: Expressão Popular, 2020.

    SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000.

    BAIANASYSTEM. Sulamericano. Participação de Manu Chao. In: Faixa 2, BAIANASYSTEM. O Futuro Não Demora. [S. l.]: Máquina de Louco, 2019. Disponível em: Deezer, 2019.

    CALLE 13. Latinoamérica. Intérprete: Calle 13. In: CALLE 13. Entren los que quieran. Sony Music, 2010. Faixa 5. Álbum digital. Disponível em: Deezer, 2009.

    GIECO, León. Eu só peço a Deus. Intérpretes: Beth Carvalho e Mercedes Sosa. In: Beth Carvalho: ao vivo no Olympia. Sony Music, 1991. Faixa 11. Disponível em: Deezer, 1986.

    MIRIM, Katú. Indígena Futurista. Intérprete: a autora. [S.l.]: Independente, 2021. 1 álbum digital.1 faixa, 04 min. Disponível em: Deezer, 2021

    LOS CORONEZOS. Manifesto Decolonial. Disponível em: Deezer, 2019.

    MACHADO, Paulo. Intérprete: Ney Matogrosso. América do Sul. In: MATOGROSSO, Ney. Água do Céu - Pássaro. Rio de Janeiro: Warner Music Brasil, 1975. Disponível em: Deezer, 2005.

    RESIDENTE. This Is Not America. Intérprete: Residente. Participação: Ibeyi. 2022. Faixa 1. In: This Is Not America. Disponível em: Deezer, 2022.

    SOSA, Mercedes. Cuando tenga la tierra. In: Hasta la victoria. Universal Music, 1972. Disponível em: Deezer, 2010.




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