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  • EM CIMA DA HORA DIVULGA SINOPSE PARA O CARNAVAL 2026

    Redação em 20 de Agosto de 2025

    Com o enredo "Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras!", a azul e branca de Cavalcanti homenageará a figura mística e poderosa das Pombagiras. Símbolos de coragem, transformação e ousadia, elas quebraram estigmas e preconceitos que a sociedade impôs ao longo dos séculos, afirmando-se como mulheres empoderadas e transgressoras.


    O enredo está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Rodrigo Almeida, que aposta em uma abordagem sensível para narrar a beleza e o mistério desta figura que é símbolo de liberdade, força e espiritualidade.


    SALVE TODAS AS MARIAS – LAROYÊ, POMBAGIRA!JUSTIFICATIVA

    Ela é mulher assim como todas as outras.

    Ela é mulher, sinônimo de coragem, mistério, sedução, liberdade, poder, respeito

    e determinação. Ela não tem medo, nem do acaso, nem das circunstâncias. Ela

    enfrenta, encara de frente, se reergue, se apruma e no ponto se refaz em feitiço,

    oculto encantamento.

    Ela é a mulher que se perpetuou através dos séculos. Sendo parte de um

    sagrado ancestral espiritual e, continuamente, feminino.

    Ela é parte do mistério de muitas mulheres. Bruxas, feiticeiras, prostitutas...

    mulheres de outros tempos que sofreram, foram humilhadas, diminuídas,

    objetificadas, excluídas, acusadas, silenciadas, queimadas e ceifadas. Mas que

    na história permaneceram e são, inquestionavelmente, empoderadas,

    destemidas e livres.

    Ela tem mistérios que se desdobram pelo Brasil, atuando em diversas praças,

    terreiros, encruzas e caminhos. Tornando-se popular em sua ousadia e coragem

    que inspira tantas outras mulheres.

    Ela se faz encantada, admirada e pelos seus é presenteada. Ela é festa e alegria

    em gargalhadas, danças e sedução. Mas tem a intolerância como seu maior

    algoz. E sua presença na luta contra o ódio faz-se necessária, tanto pela

    desmitificação, história e honraria, quanto por sua coragem, liberdade e

    transgressão.

    Salve todas as mulheres que são livres e tem o seu valor.

    Salve todas as Marias! Salve Todas as Pombagiras! Laroyê!


    SINOPSE:

    “...Ela é a dama da noite,

    Moça bonita que veio me ver

    Vestindo preto com rosa vermelha,

    Traz sua força para me valer...

    Você é uma moça linda,

    Oi, moça linda eu quero lhe ver”

    Na gira desse conto ela é dona absoluta. Seu nome tem origem nos cultos

    Bantus e Angola, sendo Pambu Njila ou Bombojira, uma espécie de cruzamento

    da força vital das ruas, estradas e encruzilhadas. Seu poder feminino, para o

    bem ou para o mal, talvez tenha raízes nas feiticeiras Yamins, mas não são elas!

    Elas são apenas parte desse sagrado feminino, em que o mistério é sua verdade

    e o invisível a sua morada na essência de toda mulher.

    Muitos caminhos remontam sua existência, o tempo guarda consigo

    personagens de um espírito livre e cheios de mistérios, carregados de força e

    valentia que coexistem em harmonia com a beleza e o prazer. És aquela que

    sabe quem é e é quem quiser ser.

    “Arreda homem que aí vem mulher

    Ela é Pombagira

    Venha ver quem ela é.”

    Foi por vezes a mística, a dona dos encantos que povoa o imaginário

    popular. A bruxa ibérica, sendo aquela de Évora ou de qualquer outro lugar, de

    certo um mito abastecido dos segredos que o oculto a revelou. Por vezes foi a

    curandeira e a vidente, tantas outras, a feiticeira, e em todas, amaldiçoada pelo

    julgo de uma sociedade opressora que fez da fogueira seu flagelo favorito,

    acreditando que ali, apagaria seu espírito. Mas esse não se finda, ele renasce e

    se blinda tal qual uma armadura a santificá-la.

    Sua natureza faz abrigo em quem bem quer, é feita de um misto de brasa

    e correnteza, uma força que faz vibrar a vida através das suas gargalhadas,

    gestos e quadris. Está gravada em sua alma os mistérios, a magia e a liberdade

    cigana, por vezes, mundana que em canto e dança seduz e hipnotiza fazendo

    perder os sentidos, não temendo o perigo nem tão pouco, a solidão.

    Sendo sua alma um mistério, seu corpo não tolera julgamentos. Na boca

    de quem não presta és a vagabunda, a solta na vida que sem medida sacia os

    desejos e prazeres dos homens. Messalina e prostituta em quem a luxúria fez

    morada, por sorte pudera ser amante cortesã ou por sobrevivência uma rameira

    infeliz. A mulher sem nome, uma fiel concubina sem um lar, a meretriz sem valor

    que fez do seu corpo e suas vontades sustento e liberdade em tempos onde

    nada lhe dava o direito de ser o que se é.

    Tantas coisas dizem sobre ti, por muitas alcunhas querem te apontar, sob

    a sombra da ignorância tentam te diminuir ou te findar, seja como a rosa

    vermelha que veio lá do inferno, a esposa de Exu, aquela que tem sete maridos,

    a mulher de “Lucifér” ou ainda o próprio diabo, entre outras definições.

    “...Você é a flor perfeita

    Que vem dentro desta seita

    Para aqueles que tem fé...”

    Contam que ela já se fazia presente nas macumbas cariocas, no

    cruzamento das religiões que conviviam no Brasil. Fortalecida na fé, ganhou

    espaço e notoriedade, espalhando o poder da sua assistência em meio aos seus,

    seja nas ruas, esquinas, encruzas, cruzeiros, à noite adentro nas calungas e em

    toda parte, onde bem queria estar.

    Nos tambores da Umbanda, encontrou doce abrigo, nas sete linhas que

    te formam e manifestam sua crença. Mas seu poder pertence a esquerda, junto

    a tua legião, onde sua presença e magia foram firmadas, com Exu ao seu lado

    ganhando força e prestígio.

    “Lá vem ela oh...

    Caminhando pela rua

    Com Tiriri, Marabô e Tranca-rua”

    Os sete reinos da Quimbanda se desdobram descortinando novos

    mundos a cruzar caminhos. Na tronqueira exaltada, Exus e Pombagiras se

    apresentam numa outra linha de manifestação, na qual o oculto guarda

    segredos, ritos e devoção.

    No Batuque está presente, atendendo seus consulentes, representando o

    poder que vem de longe. Batuqueiros, quimbandeiros que abrem encruzas e

    caminhos com Exu Bará ao seu lado.

    E na Jurema sagrada, enraíza e encontra seu espaço nos domínios do

    Catimbó, por ali ninguém anda só, salve as pretas velhas feiticeiras. Essas

    catimbozeiras são firmadas na gira sustentando seu poder, tendo as almas como

    amigas que trabalham no caminho. És potência a se respeitar com Exu e

    Pombagira na demanda que lhes chamarem. Salve todas as Almas!

    Ela é Dama da Noite

    Ela enfeita o luar

    Ela é Rainha faceira

    A encruza é seu lugar

    Nos pontos teu povo te canta

    Ofertam presentes, se põem a dançar

    Moça bonita é Pombagira

    Que chegou pra ficar.

    Quando lançada à sorte em outro tempo, não imaginaram o quanto seria

    amada e que sua história seria sinônimo de empoderamento, força e

    transgressão. Seus filhos te visitam ofertando seus presentes preferidos, como

    as frutas e as bebidas que mais gosta de saborear. Levam cigarros, charutos e

    cigarrilhas, rosas e velas vermelhas e as mais doces fragrâncias para te

    incensar. Querem ouvir sua gargalhada e seus conselhos, ao sentirem sua

    presença, querem te ver dançar.

    Salve todas elas! Em suas falanges e corruptelas que esta noite abriram

    os caminhos, adentrando este espaço e se apresentando nesta gira, seja como

    Navalha, Menina, Molambo ou Caveira, Figueira, Cacuricaia, Catacumba ou

    Mirongueira, das Almas, da Praia, da Lira ou da Noite, dos Ventos, do Cemitério,

    do Porto ou do Ouro, das 7 saias e todas dos 7, a Bela da Noite, Ciganas, Rosas,

    Rainhas... Salve todas as Marias! Laroyê, Mojubá!

    Mas, para muitos, ainda é o exemplo da mulher que não deve ser imitada,

    aquela que não se deve seguir, a que foi feita pra apanhar, sem virtudes e imoral.

    Aquela maldita aos olhos de cada novo inquisidor e assim, naturalmente, ganha

    espaço o ódio em forma de intolerância, violência e perseguição. Nem sempre

    maldita, mas sempre uma mulher, empoderada e livre que seguirá perpetuando

    sua essência primordial.

    Ela é aquela que conhece as dores e delícias de ser resistência, sem

    medo do julgamento. Ela é do povo, ela é da rua e das encruzas da vida. Ela

    existe e “dá o nome”. Ela, do início ao fim, é Pombagira! Ela é A Mulher!

    - Vem Pombagiras! Receba este enredo que a Em Cima da Hora preparou

    para você, em sua maior prova de devoção. Desejando que o mundo possa

    melhor te conhecer, “pombagirando” e emanando sua força, uma doce

    consagração. Conquistando, em seu nome, esse título que tanto sonhamos, uma

    vitória que não é somente nossa, mas de toda sua legião.

    Salve todas as Marias – Laroyê, Pombagiras!

    Argumento: Anderclébio Macêdo e Rodrigo Almeida

    Texto e pesquisa: Anderclébio Macêdo

    AGRADECIMENTOS ESPECIAIS

    A Em Cima da Hora agradece a Pai Jorge Gina de Ogum, Pedro Migão e

    Simas, bem como ao povo de rua, às pombagiras, ao povo da encruza, às mulheres

    guerreiras, brasileiras, às bruxas perseguidas, às que amaram, sofreram, resistiram

    e se transformaram, às feiticeiras africanas e a todas as mulheres presentes nos

    rituais afro-indígenas brasileiros.

    REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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    SIMAS, Luiz Antônio. Quem tem medo de Pombagira? Disponível em:

    https://www.instagram.com/p/C7eRbzJuuJZ/

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    https://mortesubita.net/afro-americano/linha-das-pombas-giras-na-umbanda/.

    SOARES, Ícaro Aron. Pomba Gira na Quimbanda. Disponível em:

    https://mortesubita.net/pomba-gira-na-quimbanda/.

    TENDA DE UMBANDA CABOCLO TUPINAMBÁ E VÓ CATARINA. A guardiã

    Pombagira. Disponível em:

    https://tuctvc.com/AUmbanda_GUARDIAOPOMBAGIRA.php



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