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  • Com Milton Cunha e Moacyr Luz, Museu do Samba chega a 200 depoimentos inéditos em seu acervo de história oral

    Redação em 31 de Outubro de 2026

    Projeto Memória das Matrizes do Samba começou em 2009 e tem registrado em vídeo relatos exclusivos de grandes nomes da história do samba e do carnaval

    O Museu do Samba, que este ano está celebrando 25 anos de vida, chegou à marca de duzentos depoimentos inéditos para o acervo de história oral da instituição. As mais recentes gravações registraram em vídeo as histórias e memórias do carnavalesco e apresentador Milton Cunha e do compositor Moacyr Luz, fundador do Samba do Trabalhador e autor de inúmeros sucessos do gênero. Os registros fazem parte do projeto "Memória das Matrizes do Samba do Rio de Janeiro", realizado pelo Museu do Samba desde 2009, e que conta com apoio do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).


    Segundo Nilcemar Nogueira, fundadora do Museu do Samba, o depoimento de Milton Cunha foi o mais longo de todos e ainda não terminou. "Milton fez um mergulho profundo em suas memórias, desde os tempos da infância difícil no Pará, passando pela vinda para o Rio de Janeiro e o seu começo na Beija-Flor. É uma narrativa carregada de detalhes e emoções, que nos fazem praticamente visualizar sua trajetória e seus trabalhos nos bastidores da folia. Teremos que gravar pelo menos mais duas sessões, o que é um privilégio", conta a neta do compositor Cartola e de Dona Zica, baluarte da Mangueira.


    A temporada de gravações deste ano foi encerrada com Moacyr Luz, que relembrou sua trajetória no samba, na MPB e no Carnaval, além de bastidores e marcos dos 21 anos do Samba do Trabalhador, roda de samba – e de resistência cultural – que em 2026 completa 21 anos de fundação. "O marcante do depoimento do Moacyr Luz foi identificar que desde muito novo ele tinha a plena convicção da sua vocação para a música, o que lhe permitiu conhecer seus grandes parceiros, sem abrir mão de sua irreverência, espontaneidade, da conexão com os bares e o subúrbio, e de suas convicções por um Brasil melhor, mesmo diante da sua luta contra o Parkinson", contou Juliano Dumani, pesquisador e membro do conselho deliberativo do Museu do Samba.


    Além de Milton Cunha e Moacyr Luz, a temporada 2026 contou também com gravações de depoimentos de Rildo Hora, Claudio Russo, Zé Paulo Sierra, Mestre Nilo Sérgio, Eryck Quirino, Paulo Ramos, Tia Débora e Pedro Naval.


    Desde a primeira gravação, no ano de 2009, o projeto "Memória das Matrizes do Samba do Rio de Janeiro" já produziu um acervo original – e inédito – com personagens marcantes da cultura do samba e do carnaval, nomes como Alcione, Dona Ivone Lara, Nelson Sargento, Wilson das Neves, Monarco, Tia Surica, Haroldo Costa, Mestre Ciça, Neguinho da Beija-Flor, do lendário mestre-sala Delegado e das porta-bandeiras Selminha Sorriso, Dodô da Portela e Vilma Nascimento. O material está disponível para consulta e pesquisa, mediante agendamento pelo e-mail contato@museudosamba.org.



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